ALEJO MUNIZ SUPERA LESÃO PARA VOLTAR À ELITE DO SURF

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Um dos talentos do brazilian storm, geração de surfistas brasileiros que colocou, de vez, o país no panteão do surf, Alejo Muniz supera lesão e está de volta ao circuito mundial. O atleta teve uma rotura de LCA no joelho direito em março deste ano. Recuperado, ele retorna ao WQS neste mês com o objetivo de, ainda em 2019, chegar à elite do surf mundial.

No dia 16 de março deste ano, o surfista Alejo Muniz foi submetido a cirurgia de reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho direito. O procedimento foi realizado pelo ortopedista do Vita, Dr. Caio D’Elia. Uma semana antes, na primeira etapa do ano do WQS, em Fernando de Noronha (PE), ao executar uma manobra, Muniz sentiu o joelho. “Na hora, eu soube o que tinha acontecido [rotura no LCA]”, diz Alejo.

Isso porque, em outubro de 2015, quando, segundo o próprio Alejo Muniz, vivia o melhor momento de sua carreira, ele rompeu o LCA do joelho esquerdo. “Estava na França [Hossegor], participando de uma etapa da primeira divisão [WCT]. Eu nunca tinha me lesionado seriamente. Naquele dia, saí da água sem conseguir andar. Foi meio assustador. Quando descobri que precisaria passar por cirurgia, foi bem difícil. Ainda não sabia se a lesão me tiraria do surf. Era tudo novo e muito crítico”.

“Durante a primeira lesão, ao ficar afastado, pude ver o quanto eu gosto de surfar e de competir. Passei a dar mais valor ao meu esporte. Toda a consciência adquirida na primeira lesão me faz encarar essa segunda recuperação com muito mais tranquilidade.”

Porém, no fim das contas, Alejo Muniz teve uma recuperação em tempo recorde. “Geralmente, nesse tipo de lesão, o atleta volta a praticar sua atividade seis meses depois da lesão e a competir oito meses depois. Eu voltei a treinar na água depois de quatro meses e a competir depois de cinco.”

O fisioterapeuta do Vita, Leandro Reis, e o médico Caio D’Elia dizem que é possível, embora não seja comum, a recuperação num intervalo de tempo tão curto. É necessário uma série de fatores, como uma facilidade natural do organismo para se recuperar mais rapidamente, mas, sobretudo, é preciso muita dedicação ao trabalho de reabilitação, que deve ser intensificado.

“Na ocasião, eu passava o dia inteiro aqui no Vita fazendo fisioterapia. Praticamente morei quatro meses aqui. Mas só isso não seria suficiente se eu não tivesse à disposição os profissionais que eu tive: Leandro Reis, meu fisioterapeuta, Caio D’Elia, médico que fez a minha cirurgia, e Franz Burini que é meu médico e me acompanha sempre. Se não fosse por eles, não sei se conseguiria voltar tão rapidamente e no mesmo nível em que estava antes da lesão. Só tenho a agradecer a eles pela recuperação que me proporcionaram.”

AGORA, O LCA DO JOELHO DIREITO

Por toda essa experiência em Hossengor, ao sentir o joelho direito em Noronha, ele sabia do que se tratava. Ciente do respaldo que teria e do sucesso alcançado no tratamento da lesão anterior, sentiu-se bem menos angustiado. “Os sintomas, o movimento que fiz, a dor, tudo era muito parecido com o que me ocorrera há três anos. Mas, desta vez, fiquei mais tranquilo. Sabia que ia me recuperar, porque contaria com uma equipe médica competente.”

“O principal era recuperar 100%. Eu consegui isso num prazo curto na lesão anterior e nessa também. A ideia, desta vez, era voltar a competir no segundo semestre e, na primeira semana de setembro, volto ao circuito.”

Assim, dois dias depois da cirurgia, em 18 de março, Alejo iniciou a fisioterapia no Vita, com Leandro Reis. Durante um mês, ele se tratou em São Paulo e, desde meados de Abril, retornou ao litoral catarinense, onde seguiu, ao lado da família, a reabilitação na clínica OsteoSports. “Durante a primeira lesão, ao ficar afastado, pude ver o quanto eu gosto de surfar e de competir. Passei a dar mais valor ao meu esporte. Toda a consciência adquirida na primeira lesão me faz encarar essa recuperação com muito mais tranquilidade.”

Essa tranquilidade, contudo, não impediu Alejo de desejar, trabalhar por isso e se credenciar para um retorno quase tão rápido quanto o da primeira lesão. O fato é que, no dia 26 de julho, depois de cinco meses de reabilitação, Alejo esteve no Laboratório de Performance do Movimento (LPM) do Vita, na unidade do Morumbi, para fazer os testes de retorno ao esporte. Antes mesmo de os resultados saírem e serem avaliados pelo Dr. Caio D’Elia, o otimismo era enorme. Estava evidente que o trabalho realizado ao longo dos cinco meses fora brilhante. Ele conseguiu, por exemplo, suportar e erguer, só com a perna reabilitada, 125 kg. Considerando que pesa 76 kg, ele ergueu mais do que um Alejo e meio.

“O principal era isso: recuperar 100%. Eu consegui num prazo curto na lesão anterior e nessa também. A ideia, desta vez, era voltar a competir no segundo semestre e, na primeira semana de setembro, volto ao circuito, na etapa de Pantín [Galícia], na Espanha, ainda com tempo para conseguir me classificar [no WQS] e voltar à elite do surf [o WCT]. Isso é possível porque as etapas que mais somam pontos no ranking acontecem no segundo semestre.”

A HISTÓRIA DE ALEJO COM O SURF

Alejo Muniz faz parte de um fenômeno mundial do surf que ficou conhecido como Brazilian Storm: o surgimento de surfistas brasileiros de grande talento que colocariam o País, de vez, entre as principais potências do esporte.

“Eu comecei a surfar aos cinco anos na praia de Quatro Ilhas em Santa Catarina. Quem me colocou no surf foi meu pai. Mas minha família não era do surf. Meu pai surfava esporadicamente e eu fui seguindo os passos dele.” Embora não se visse, naquele começo, como surfista, Alejo diz que se apaixonou pelo esporte ao ponto de não haver espaço para gostar, na mesma medida, de nenhuma outra atividade. “Conforme crescia, me dedicava cada vez mais ao surf, que, assim, virou a primeira e única opção profissional para mim. Foi fácil escolher o surf.”

Mas é claro que, sem talento, essa escolha não seria possível. “Comecei a competir com 11 anos. É um pouco tarde comparado à idade com que o pessoal começa. De qualquer maneira, eu me profissionalizei rápido. Aos 16, passei a participar do circuito brasileiro profissional. Eu me destaquei bem e foi quando consegui meus primeiros patrocinadores. Aí, passei a viver do surf e, aos 19 anos, ingressei na segunda divisão [WQS] do surf mundial. No ano seguinte, já estava na primeira divisão [WCT]. Foi meio inesperado uma ascensão tão rápida.”

No surf mundial, as duas principais divisões são o WQS e o WCT. O WCT é a primeira divisão do surf no mundo e conta com os 34 mais bem ranqueados surfistas do planeta. No ano passado, o brasileiro Gabriel Medina venceu a divisão pela segunda vez. Muniz já esteve no WCT em seis temporadas. No momento, está no WQS.

O GRANDE FEITO E OS PRINCIPAIS OBJETIVOS DE ALEJO

“Eu já tive várias vitórias no circuito mundial e cada vitória tem um gosto diferente. Mas o ponto mais alto da minha carreira, até aqui, foi uma etapa e um campeonato que eu não venci, mas contribui para o Brasil vencer pela primeira vez um título mundial da primeira divisão do surf, com Gabriel Medina.”

Era a última etapa do WCT, no Havaí, na mítica praia de Pipiline, e, na briga pelo título, estava Gabriel Medina contra Kelly Slater (americano, 11 vezes campeão mundial) e Mikc Finning (australiano, três vezes campeão mundial): simplesmente os dois caras mais vitoriosos da história do surf.

“Eu enfrentei esses dois caras em baterias eliminatórias e os eliminei, antecipando o título do Gabriel. No momento em que bati Mick Finning, Gabriel já era campeão. Coincidentemente, ele disputaria as quartas de final da etapa logo depois da minha bateria contra Finning e estava na água quando a minha bateria acabou. Pude abraçá-lo, ainda dentro da água, naquele momento histórico.”

Apesar dessa marcante passagem, aos 29 anos de idade, Alejo ambiciona muito mais para sua carreira. “Meu objetivo para a carreira é um sonho de criança: ser campeão mundial. Sei que é difícil, são poucos os que conseguiram, mas é o que me motiva a acordar cedo para treinar, viajar, deixar a família em casa; quando me lesiono, é o que me faz passar meses longe de casa fazendo fisioterapia, enfim, é o que me move. Mas, antes, eu preciso voltar à elite e farei o meu melhor para que seja ainda neste ano.”

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