AVALIAÇÃO 3D DO FUTEBOL: MILENE DOMINGUES ESTREIA A NOVIDADE DO VITA

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A ex-jogadora da seleção e do Corinthians, Milene Domingues, foi a primeira a passar pela Avaliação 3D do Futebol no LPM do Vita. O teste foi desenvolvido para identificar possíveis desequilíbrios musculares e gestos inadequados em jogadores, com a finalidade de corrigi-los e, assim, melhorar o desempenho esportivo e prevenir lesões. Diante da ilustre presença, aproveitamos para conhecer melhor a sua história como atleta, sua visão sobre o futebol feminino e muito mais.

Estou aqui [no LPM] para ver qual é a minha perspectiva de vida atlética. Se os exames não forem bons, vamos corrigir porque quero jogar até os 95 anos.

Hoje comentarista de futebol em emissoras de TV, a ex-jogadora profissional Milene Domingues, cuja paixão pelo futebol é pública e notória desde meados da década de 1990, quando, ainda adolescente, dava show de embaixadinhas Brasil afora, foi a primeira pessoa a passar pelo mais novo teste do Laboratório de Performance do Movimento (LPM) do Vita: a Avaliação 3D do Futebol.

Desenvolvido pela equipe de profissionais do LPM, o teste leva em consideração os movimentos fundamentais e mais comuns na prática do esporte. “A ideia é identificar possíveis desequilíbrios musculares e gestos inapropriados que aumentam as chances de lesão dos jogadores e, a partir dessas informações, desenvolver treinos específicos que corrijam os desajustes e déficits encontrados, melhorando o desempenho esportivo e prevenindo lesões”, explica a gestora do LPM e fisioterapeuta do Vita, Andreia Miana.

Não me lembro [quando profissional] de ter feito nenhum teste que visasse uma prevenção estrutural e de longo prazo [como esta do LPM].

Segundo Sérgio Souza, fisioterapeuta do LPM, incidência de lesões em jogadores de futebol é muito grande e um trabalho preventivo individualizado é essencial para evitá-las. “A Avaliação 3D do Futebol traz um combo de testes de pré-temporada com a finalidade de averiguar força, agilidade, potência e controle de movimentos por meio de um aparelho isocinético e outros instrumentos.”

Aproveitamos a ilustre presença de Milene, ex-jogadora da seleção, do Corinthians e de times da Itália e da Espanha, para saber mais sobre a sua história, sua visão sobre o futebol feminino, saber das lesões que enfrentou ao longo da carreira, de sua experiência com testes físicos que ajudam na prevenção de lesões e, também, a respeito de sua relação com o futebol hoje.

Você se recorda quando surgiu sua paixão pelo futebol?

Eu tenho irmãos mais velhos e as minhas brincadeiras de criança sempre foram de meninos: eu sei empinar pipa, andar de carrinho de rolimã, jogar bolinha de gude. Agora, jogar futebol era a principal brincadeira e eu me apaixonei por ela. Na época, eu não pensava em me tornar jogadora profissional, até porque não existiam times femininos profissionais. Mas aconteceu de eles surgirem logo depois de eu ganhar certa fama fazendo embaixadinhas, tinha por volta de 14 anos. Aliás, comecei a fazer embaixadas porque os meninos não me deixavam brincar com eles. Eu pegava minha bola e ia brincar sozinha. O fato é que, assim, chamei a atenção das pessoas. Confesso que, para mim, era muito natural fazer embaixadinhas. Enfim, eu fui crescendo e sempre procurei times para jogar. Quando o esporte entre as mulheres ganhou um pouco de visibilidade e passou a ter campeonatos, mesmo que amadores, em razão da projeção que ganhei por causa das embaixadas, eu tive a oportunidade que sempre quis. Aqui no Brasil, joguei pelo Corinthians. Lá fora, sim, joguei em clubes da Espanha e da Itália.

Você considera que essa jornada para se tornar jogadora foi difícil?

Foi por causa da inexistência de times femininos de futebol de campo na minha adolescência. Havia uma equipe no Rio de Janeiro chamada Radar, mas, aos 14 anos, minha mãe não me deixaria ir para lá. Havia times de futebol de salão femininos e eu cheguei a ser federada. Joguei por alguns, mas não seria possível me profissionalizar. Não era uma carreira confiável, não dava para sobreviver do futsal feminino. Nessa época, a minha profissão foram as embaixadinhas mesmo. Eu ganhava dinheiro com participação em feiras, apresentações nos estádios… O jogo de futebol, mesmo, era diversão para mim nessa época. Até quando joguei campo no Corinthians, eu recebia uma ajuda de custo, não um salário, mas, pelo menos, participava de campeonatos bons e isso foi ótimo para mim. Participei do primeiro campeonato paulista feminino, o Paulistana, em 1997. Foram três temporadas: 1997, 1998 e 1999. Em 2000, tive de parar porque fui mãe [em 1999, Milene se casou com o Ronaldo “Fenômeno”, com quem teve um menino, Ronald Domingues Nazário de Lima] e voltei a jogar só depois, com meu filho um pouco maior, na Itália e, na sequência, na Espanha. Aí, sim, atuei profissionalmente. Em resumo, não foi fácil, mas, quando a paixão é verdadeira, a gente vai atrás.

É de se imaginar que, depois de se aposentar como atleta, o amor pelo jogo não tenha acabado. Você ainda joga?

Eu não parei de jogar. A paixão não acabou. Jogo amistosos, futevôlei, jogo, de forma amadora, claro, futebol society pelo Clube Hebraica e society e futsal pelo Corinthians. Enquanto meus joelhos sobreviverem, vou jogar. O futebol está na minha vida. Claro que não mais profissionalmente. Mas, se tiver um time de máster, eu topo jogar. Estou aqui para ver qual é a minha perspectiva de vida atlética. Se os exames não forem bons, vamos corrigir porque quero jogar até os 95 anos. Eu gosto de estar envolvida sempre com futebol e gosto de competir. A ideia é sempre fazer o melhor e ganhar, mesmo sendo um jogo amador. O fato de trabalhar como comentarista é muito legal, porque fico, de alguma maneira, perto desse ambiente competitivo de que tanto gosto. Me agrada muito comentar futebol, seja masculino ou feminino. Graças a Deus, o feminino está em alta.

Os times, hoje, investem muito em medicina preventiva, até porque viram que gastam menos dessa forma […] A prevenção é sempre o melhor caminho

Você sofreu com lesões ao longo da carreira?

Sim, todo o atleta de alto rendimento tem de conviver com isso. No futebol, por causa das mudanças de direção e o contato físico constante, as lesões são quase inevitáveis. Minha primeira ruptura de ligamento cruzado anterior [LCA] foi por causa de um carrinho por trás. Eu tenho a impressão de que, no caso das mulheres, esse tipo de lesão mais séria, como a do LCA, é mais comum do que entre os homens. Eu tive ruptura no LCA dos dois joelhos. Eu costumo dizer, de brincadeira, que eu sou bem simétrica: há pouco tempo eu tive inflamação no tendão de Aquiles nas duas pernas. O “bom” é que, assim, eu não fico desequilibrada, não uso mais um lado que o outro, mas, em compensação, tenho de tratar sempre dos dois lados. Torções de tornozelo, eu tive algumas, apenas uma mais séria, mas não cheguei a romper ligamento.

E essa lesão recente nos tendões de Aquiles?

A inflamação nos tendões foi resultado de muitos jogos recreativos e pouco preparo para isso; eu jogo, no mínimo, umas três ou quatro vezes por semana. O médico disse que o fato de jogar em superfícies diferentes contribuiu também [salão e society, piso duro e outro mais fofo]. A rotina de trabalho, de mãe, enfim, tudo tira tempo de preparação física e ainda causa estresse, o que não ajuda em nada o corpo. Para completar, minha cabeça de atleta, nesse caso, atrapalhou. Como atleta, conviver com a dor é normal. Por causa dessa mentalidade, levei cinco meses, depois do início das dores, para procurar um médico e descobrir o problema. Mas deu tempo de tratar sem maiores complicações. Fiz o tratamento conforme todas as orientações. Sou bem obediente nesse sentido.

Você acha que as jogadoras profissionais são mais propensas a grandes lesões do que os jogadores? Por quê?

Eu acho que a mulher sofre um pouco mais com lesões no esporte do que os homens, o que tem a ver com a preparação. Os homens são preparados para a prática esportiva desde crianças. São mais estimulados. No futebol feminino, as garotas não têm o privilégio de serem moldadas fisicamente, desde os dez anos, numa categoria de base. Está mudando, felizmente. Hoje, a gente encontra categorias de base de times femininos até no sub-9, mas, até pouco tempo, três ou quatro anos atrás, não existia. Na minha época, então, nem pensar. A mulher se tornava jogadora profissional sem essa base. Ela precisava se adaptar a outro tipo de esforço, de treinamento e intensidade, o que, a meu ver, contribui para uma maior incidência de lesões em mulheres. Não para por aí, os garotos são muito cuidados do ponto de vista nutricional, alimentação e suplementação, desde a base também. As mulheres não. Eu sempre tive na cabeça que suplementação era para quem ia para a academia e queria ficar “bombado”. Não é verdade. A suplementação é mais do que necessária, desde que sob orientação de profissionais especializados. Porém, entre as meninas, isso não acontece como entre os homens. Esse tipo de teste, que vocês desenvolveram, não faz parte do universo do futebol feminino. Um estudo tão amplo da biomecânica das atletas não existe e, se existisse, faria muita diferença na vida atlética das jogadoras.

Mas, cada vez mais, os times investem em medicina preventiva, não?

Os times, hoje, investem muito em medicina preventiva, até porque viram que gastam menos dessa forma. Prevenir é mais barato do que tratar um atleta com lesão de gravidade mediana ou alta. Além disso, garante-se a disponibilidade do atleta para entrar em campo. O clube contrata o jogador para que ele jogue. A prevenção é sempre o melhor caminho. O futebol evolui muito. A comissão técnica antes era composta por preparador físico, de goleiro, médico, fisioterapeuta, treinador e auxiliar. Hoje, há muito mais profissionais. Além desses que citei, há analista de sistemas, fisiologista e outros. Há muito investimento na preparação para que o atleta renda o máximo, minimizando os riscos de lesão. Informações como as que são levantadas aqui, no laboratório, por meio desse teste, são fundamentais nesse sentido. Não só para atletas de alto rendimento. Amadores também podem conciliar saúde, qualidade de vida à prática de seu esporte de preferência num nível mais alto. Todos querem saber o que pode ser melhorado para não sentir dor e para não sofrer lesões.

Qual é a sua expectativa em relação ao seu teste?

Depois de duas lesões de LCA, a gente muda um pouco a nossa biomecânica. O corpo se adapta às deficiências. Eu tive duas lesões que foram tratadas de formas diferentes. Uma eu cuidei no Brasil, no CT do São Paulo e tive, à minha disposição, o que havia de mais moderno em reabilitação. A segunda lesão, eu sofri na Espanha. Jogava lá e morava lá e não tive a oportunidade de passar os seis ou sete meses necessários para o retorno sob os mesmos padrões de reabilitação que encontrei aqui. Lá, o protocolo não faz distinção entre atletas e um senhor que não pratica atividades físicas. A fisioterapia é exatamente a mesma. O fato é que, mesmo a segunda cirurgia [realizada há dez anos] tendo sido feita com mais recursos do que a primeira [há 25 anos], o meu joelho operado por último é mais sensível que o operado primeiro em razão do trabalho de reabilitação que fiz. Isso me dá uma boa medida da importância da fisioterapia. Bom, faz tempo que não faço testes físicos como este [eu faço exames de rotina], mas, teste de alto rendimento, eu não faço há algum tempo.

Quando era profissional, você fazia testes como este?

Não me lembro de ter feito nenhum teste que visasse uma prevenção estrutural e de longo prazo. Você corrigir gestos esportivos para reduzir risco de lesão é algo bem significativo e de longo prazo, mais estrutural mesmo. O que fazíamos — fiz em 2003, quando joguei pela Seleção Brasileira — era mais pontual: teste de ácido lático para saber se poderíamos ou não ser mais exigidas nos treinos. Era algo feito de manhã para ser aplicado à tarde, por exemplo. Na Europa, fiz testes no começo e no fim da temporada para saber minha velocidade de recuperação de um jogo para o outro. Era para avaliar o nível de desgaste depois das partidas. Enfim, tudo de curto prazo. Biomecânica, no caso, é uma palavra muito jovem para mim. Na idade em que eu joguei bola, isso não era muito comentado. O máximo que fazíamos era um teste de pisada para saber se era necessário usar uma palmilha ou não.

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