DAVI PEDREIRA DOS SANTOS: “O ESFORÇO VALE MAIS QUE O TALENTO”

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O carateca Davi Pedreira dos Santos tinha tudo planejado para os dois últimos anos de carreira como atleta profissional, mas um acidente de moto quase colocou seu plano em cheque. Conheça a História de Vita desse atleta de 39 anos, que, com seu exemplo, mostra o valor de uma vida dedicada a uma paixão.

“Nunca me machuquei seriamente lutando ou treinando. A partir do momento que me profissionalizei, sabia que deveria levar uma vida de atleta para prolongar ao máximo minha história. Mas há imprevistos”, explica o carateca Davi Pedreira dos Santos, que, aos 39 anos de idade, segue competindo em alto nível torneios nacionais e internacionais. No currículo, ele coleciona três títulos brasileiros em sua categoria, até 67 kg, e nove conquistas de Jogos do Interior de São Paulo.

Na Avenida Juscelino Kubitschek, em São Paulo, em novembro de 2018, o motorista de um veículo se distraiu com o filho recém-nascido chorando no banco de trás e, quando se atentou ao trânsito, estava perdendo uma conversão que precisava fazer. Davi vinha por dentro e o motorista, de súbito, virou. Para escapar do choque, Davi jogou a moto que pilotava para o canteiro central, pegou guia e o que mais havia por ali. Voou, chocando-se contra uma placa.

“No choque, lesionei o ombro esquerdo e o adutor [músculo da parte posterior da coxa] da perna esquerda. O maior problema foi no ombro. Eu precisava de suporte médico especializado para tratar e não tinha. Por meio de um amigo, também carateca, em janeiro, soube do Vita. Realizei todo o procedimento de cadastro necessário para fazer parte do quadro de atletas do Instituto Vita [com direito a acompanhamento médico, fisioterápico e de preparação física gratuitos].”

O tratamento

Davi foi aprovado e passou em consulta com o Dr. Marcelo Cava, especialista em ombro. “Davi passou com a gente quatro meses depois do acidente de moto [em março] tendo, como principal problema, uma forte dor no ombro esquerdo. O exame físico indicou sinais de lesão musculotendínea do manguito rotador, mas já estava em remissão e o tratamento foi realizado com fisioterapia, com a orientação de retorno caso os sintomas permanecessem.”

Na reabilitação, Davi ficou sob os cuidados do fisioterapeuta Ivan Momesso. “O tratamento dele consistiu, a princípio, em aliviar o desconforto e as dores com eletroterapia e terapia manual. Depois, restabelecemos as funções musculares, que, em razão do quadro de dor prolongado, ficaram inibidas e limitadas, causando forte desconforto. O tratamento dele durou de três a quatro meses, mas ele segue conosco, em caráter de manutenção, para prevenir lesões e para, na medida do possível, melhorar o desempenho muscular”, explica o fisioterapeuta do Vita, Ivan Momesso.

“Iniciei o tratamento em março. Em maio, estava treinando e, em fins de junho, ainda em tratamento, havia retornado às competições, para participar dos Jogos do Interior de São Paulo, quando conquistaria o vice-campeonato”, conta Davi.

Apesar de não ter demandado cirurgia, as lesões trouxeram apreensão a Davi. “Estou com 39 anos de idade e planejei que 2019 e 2020 seriam meus dois últimos anos como atleta profissional. A ideia era fazer dois grandes anos e terminar, talvez, com os melhores resultados da minha carreira. Confesso que, ao me machucar no acidente, temi ter de mudar meus planos e me aposentar antes.”

Contudo, graças ao suporte do Instituto Vita, Davi voltou em 2019, a tempo de obter bons resultados, e já se programa para que 2020 seja mais que um ano derradeiro. A ideia é terminar no auge. “Sem o suporte do Vita, esse 2019 e os planos para 2020 provavelmente seriam bem diferentes. Agora, a minha ideia é seguir com o suporte de preparação física do Instituto para concretizar o que imaginei para meus últimos anos e meses como atleta profissional.”

Essência carateca

No currículo, Davi coleciona três títulos brasileiros e nove conquistas de Jogos Regionais de São Paulo. Desempenho ainda mais respeitável quando se considera que ele só pôde profissionalizar-se e viver exclusivamente do caratê aos 26 anos de idade. Afinal, enquanto desenvolvia experiência para se tornar sensei e atleta profissional, tinha de ganhar a vida de outras formas.

Além de atleta, Davi é um sensei que se orgulha de competir ao lado de alguns de seus alunos, bem mais jovens e, segundo ele, em muitos casos, mais talentosos também. “Comecei tarde no caratê, com 15 anos, em 1995. Fui por insistência dos amigos da rua. Seguramente, eu era dos alunos menos talentosos da academia. Mas, mesmo assim, me encontrei no tatame; o caratê me preencheu. Ao longo desses anos, tenho tentado fazer valer a máxima japonesa de que o esforçado vence o talentoso, a não ser que o talentoso seja esforçado também, claro. Acho que tenho sido, dentro do possível, bem-sucedido.”

Não resta dúvidas de que a disciplina do caratê caiu como luva à personalidade de Davi Pedreira dos Santos. O carateca, que, aos 39 anos, integra delegações brasileiras em torneios internacionais, como a recém-disputada Premier Ligue no Chile, e tem o patrocínio de uma multinacional famosíssima de materiais esportivos, diz que, desde que se profissionalizou, vive, de fato, como um atleta. “Eu cuido da minha preparação física, do meu sono e da minha alimentação. Isso explica por que quero e sei que posso me aposentar, lutando em alto nível, aos 40 anos de idade.”

Planejado, o carateca já sabe quais serão os próximos passos depois da aposentadoria e, claro, eles contemplam o caratê. Aliás, a decisão de viver da arte marcial, aos 26 anos, não foi momentânea, foi um alinhar-se à sua paixão, ao seu entusiasmo. “Seguirei dado aulas. Serei o que já sou: sensei. Mas quero progredir e meu objetivo é me tornar membro da comissão técnica da seleção e, quem sabe um dia, o técnico da seleção. Eu estou ciente que isso exigirá de mim tanto ou mais do que me exigiu a carreira de atleta, mas estou pronto.”

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