Disfunção sacroilíaca: você sabe o que é?

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Dores no glúteo, na região lombar, na coxa, na lateral do quadril e na região da virilha. Esses são sintomas que podem estar associadas à disfunção sacroilíaca. Embora possa acometer toda a população, alguns grupos são mais suscetíveis a tal disfunção. Um bom exemplo são os bailarinos. Entenda por que e saiba mais.

O termo disfunção sacroilíaca costuma estar restrito ao universo da ortopedia e da fisioterapia, mas o problema é bem mais comum na população em geral do que se imagina. Pode, por exemplo, ser aquela dor que você sente na “base da coluna”, no quadril ou na coxa.

“A articulação sacroilíaca é fundamental para a distribuição de cargas entre a coluna lombar e o quadril”, diz a fisioterapeuta do Vita, Daiane Camargo

Essa disfunção acontece na articulação sacroilíaca e é importante explicar que essa articulação faz parte do quadril e conecta os membros inferiores, por meio do osso ilíaco, à parte superior do corpo, através do osso sacro, uma extensão da espinha dorsal. “Essa articulação é fundamental para a distribuição de cargas entre a coluna lombar e o quadril”, diz a fisioterapeuta do Vita, Daiane Camargo.  

Embora as disfunções sacroilíacas alcancem a população em geral — como veremos —, alguns grupos de pessoas, contudo, praticantes de algumas atividades específicas, costumam ser mais sensíveis a elas. Um desses grupos é o dos bailarinos.

“O balé é uma modalidade de dança que exige também muita flexibilidade da articulação sacroilíaca, levando seus praticantes, muitas vezes, a irem além da sua capacidade de amplitude articular. Essa superação dos próprios limites precisa ser construída paulatinamente e exige que, ao mesmo tempo, seja feito um trabalho de fortalecimento muscular para sustentar o ganho de flexibilidade. Senão, aumentam-se as chances de desenvolver as disfunções”, diz Daiane.


Sintomas, causas e tratamentos

A fisioterapeuta do Vita afirma que sintomas como dores no quadrante superomedial do glúteo, na região lombar, na coxa (onde a dor pode lembrar a ciática) e na lateral do quadril costumam estar associados à disfunção sacroilíaca.

“Em linhas gerais, as disfunções são resultado do mal funcionamento dos micromovimentos da articulação. Além da hipermobilidade, a hipomobilidade [falta de movimentos] também gera esse problema.”

Daiane acrescenta, à lista de causas, microtraumas, eventos traumáticos, diferença de comprimento entre os membros inferiores, alterações de fáscia [membrana que recobre os músculos], fraqueza muscular, período pós-parto e, até mesmo, idiopatias (causas desconhecidas).    

Além disso, a disfunção é um estágio inicial de morbidez, podendo se agravar. “Se não for diagnosticada e tratada logo e corretamente, a disfunção pode resultar em um processo inflamatório da articulação sacroilíaca ou ainda levar outras articulações a uma sobrecarga desnecessária que as afetarão negativamente, provocando uma cadeia lesional ascendente [afetando, por exemplo, a coluna lombar] ou descendente [impactando, por exemplo, os joelhos].”    

Para impedir o agravamento da disfunção, é preciso procurar profissionais capacitados. A princípio, um ortopedista, que será responsável pelo diagnóstico.

“Após o devido diagnóstico, o tratamento consiste na restauração dos movimentos fisiológicos com mobilizações e ou manipulações das articulações; liberação de pontos-gatilho e da fáscia; além de fortalecimento do CORE [região abdominal e lombar] e dos músculos adjacentes, caso estejam desequilibrados. Isso pode ser realizado por um fisioterapeuta, osteopata ou outro profissional de terapia manual. No trabalho de fortalecimento, é importante contar com a ajuda de um preparador físico.”       

Peculiaridades do balé

Daiane explica que, na prática do balé, as mulheres costumam ser mais suscetíveis às disfunções sacroilíacas, em razão de sua estrutura física. “A mulher já apresenta o sacro mais largo e horizontalizado, o que favorece as disfunções. Soma-se a isso, o fato de, muitas vezes, a prática transcender as limitações anatômicas de cada um.”       

A fisioterapeuta do Vita já foi bailarina do Balé Teatro Guaíra e São Paulo Companhia de Dança e hoje coordena a Escola Municipal de Bailado de Taboão da Serra (SP), além de atender os bailarinos do Anacã, estúdio de dança cujos bailarinos recebem assistência médica e fisioterápica do Instituto Vita. Ou seja, com a autoridade de quem vive o lado do profissional de saúde e do paciente, Daiane chama a atenção a outra peculiaridade do balé…

O balé exige muita flexibilidade da articulação sacroilíaca e leva seus praticantes a superarem os limites de sua amplitude articular. Para não haver lesão, é preciso fazer um trabalho de fortalecimento muscular.

“É comum os bailarinos terem um membro dominante [perna esquerda ou direita], o que, naturalmente, resulta em desequilíbrio com impacto direto na articulação sacroilíaca. Por isso, ao tratar a disfunção entre bailarinos, é preciso levar em conta esse aspecto, para tornar o tratamento mais efetivo e não prejudicar as características necessárias à boa prática do balé.”         

Segundo Daiane, o tratamento para bailarinos é basicamente o mesmo que o realizado em outras pessoas, sendo a questão do “equilíbrio” muscular [peculiar] entre os membros uma exceção, assim como a conservação e melhoria da capacidade de grandes amplitudes articulares. “O trabalho de reabilitação também deve contemplar a demanda por saltos e movimentos repetitivos.”Quando se trata de prevenção de disfunções sacroilíacas entre bailarinos, Daiane explica: “Nesse sentido, é fundamental realizar um ótimo trabalho muscular de estabilização da pelve e do CORE, além de zelar pelo equilíbrio de amplitudes articulares de membros inferiores e coluna vertebral.”

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