RECUPERADO DE FRATURA NO ESCAFOIDE, DOGUETE MIRA MEDALHA NOS X-GAMES

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A História de Vita de Douglas Leite, o Doguete, BMX rider brasileiro que superou uma fratura no escafoide (osso da mão) que o acompanhava há mais de cinco anos e já retomou os trabalhos para realizar o sonho de conquistar uma medalha nos X-Games e, mais adiante, nas Olimpíadas.

O BMX Rider brasileiro Douglas Leite, o Doguete, de 28 anos, conheceu o Vita e seu Instituto em novembro de 2018. Ele voltava de um tour de competições nos Estados Unidos (EUA), onde sofreu, nos X-Games, um impressionante acidente na Megarampa, uma das submodalidades do BMX Freestyle, esporte que pratica desde os 15 anos de idade.

Vita ortopedia e fisioterapia – Unidade Higienópolis

“Eu nem imaginava que pudesse haver um serviço médico tão especializado e sob medida para atletas como o que encontrei no Instituto Vita. Quando me deparei com a estrutura, imediatamente percebi que eu poderia ousar ainda mais do que já ousava para conseguir resultados ainda melhores. Isso porque, caso algo não dê certo, eu terei o suporte necessário para me recuperar.”

Durante a aterrissagem de seu salto, Doguete caiu da bicicleta e se chocou contra a rampa. Na hora, ainda “quente”, levantou-se e acenou para a torcida numa demonstração de que estava bem e nada de grave havia acontecido. Porém, algumas horas depois, sequer conseguia levantar o braço esquerdo, tamanha a dor que sentia no ombro.Mesmo debilitado, Doguete seguiu o cronograma de competições nos EUA. Havia mais uma disputa antes de retornar ao Brasil. “A equipe médica do evento literalmente amarrou meu ombro e eu consegui, bastante debilitado, finalizar a minha participação em torneios nos EUA naquela ocasião.” Chegando ao Brasil, precisava de atendimento e, por indicação do BMX Racer, Renato Rezende, atleta olímpico que se trata no Instituto, Doguete chegou ao Vita.

Da esquerda para a direita, os médicos do Vita Rodolpho Slcalize, Guilherme Garofo e Andre Correa.

Doguete passou por consulta com o médico ortopedista Dr. Guilherme Garofo, especialista em joelho e ombro, que constatou uma lesão no labrum, tecido responsável por estabilizar o úmero (osso do braço) em relação à glenoide (osso do ombro). “O tratamento recomendado foi fisioterápico, sem a necessidade de cirurgia”, explica o próprio Doguete.

A REDESCOBERTA DA ANTIGA FRATURA NO ESCAFOIDE 

Porém, ainda durante a consulta com Dr. Garofo, o atleta se queixou de um incômodo no punho que o acompanhava há cinco anos aproximadamente; uma espécie de resquício da lesão que havia sofrido em 2013 ao cair de uma rampa.  “Na época, fui ao médico de um hospital público que diagnosticou fratura no escafoide. Ele engessou meu punho por dois meses. Tirei o gesso ao fim desse período e voltei a andar de bike imediatamente.”

Doguete conta que, ao voltar, passou a sentir um incômodo. “Era como se alguém segurasse o meu punho o tempo todo.” Confiando que estivesse curado, apesar do incômodo, ele seguiu sua vida profissional, sendo o único brasileiro a disputar os X-Games nas submodalidades Vertical e Megarampa oito vezes consecutivas, condição que adquiriu após provar seu valor entre algumas lendas do esporte. Ao longo de sua carreira, Doguete já conquistou uma medalha de bronze em mundiais e alguns títulos sul-americanos.

Embora tenha chegado ao Vita, em novembro de 2018, pensando que seu maior problema fosse o ombro, não tardou a descobrir que o incômodo no punha era, na realidade, a pior das suas lesões.

Doguete e o médico do Vita Ricardo Escudero, ortopedista especialista em mão e punho.

“Ainda na primeira consulta, assim que falei ao Dr. Garofo sobre meu incômodo, ele imediatamente me direcionou para um médico especializado em mão e punho, o ortopedista Dr. Ricardo Escudero. Fiquei impressionado com tal nível de especialização no Vita. Foram feitos exames, incluindo uma ressonância, e Dr. Escudero diagnosticou que meu escafoide não apenas continuava fraturado, mas estava necrosado e ameaçava necrosar o [osso] rádio. Ele me disse: ‘Se a gente não cuidar disso agora, você pode ter maiores complicações e prejudicar até mesmo a continuidade de sua carreira’. Era um caso cirúrgico e eu não tinha muita margem para resistir, apesar de precisar competir.”

Doguete tinha uma competição na Austrália em janeiro de 2019. Assim, em novembro e dezembro de 2018, ele fez um trabalho de reabilitação do ombro esquerdo com a fisioterapeuta do Vita Luana Satriano, para poder competir na Austrália. Na volta, ele iria submeter-se à cirurgia no punho. Assim foi feito; na primeira semana de fevereiro, ele foi operado. A cirurgia no punho consistiu em tirar o escafoide e fazer a “artrodese de quatro cantos”, que, grosso modo, é a fusão de alguns ossos do punho.

Na semana seguinte à cirurgia do punho, Doguete aproveitou para operar a vista também. Ambas as cirurgias foram feitas em datas que visavam comprometer o mínimo possível seu calendário de competições em 2019. Assim, em março, ele iniciou sua reabilitação do punho mais uma vez sob os cuidados de Luana. A expectativa era que Doguete estivesse apto a praticar seu esporte três meses depois da cirurgia, ou seja, em meados de maio.

A REABILITAÇÃO E O RETORNO

Quase dois meses depois da cirurgia, em fins de abril, em meio à fisioterapia, fomos gravar o vídeo da História de Vita de Doguete… “Estou sem dor e sinto força no punho. Em uma semana, Dr. Escudero deve me liberar para voltar a andar de bike.”

A força na mão, naquela ocasião da fisioterapia, chegava a 85% de suas possibilidades, o dobro do que estava conseguindo uma semana antes. Sua recuperação era ótima e em linha com os planos dele de retorno ao esporte a tempo de participar dos X-Games de Xangai, na China, marcados para os dias 1º e 2 de junho. (Neste ano, houve duas edições dos X-Games “Verão”; além de Xangai, Minneapolis, EUA.)

Uma semana depois de nossa conversa, Doguete já estava andando de bicicleta. “Não senti dores. No começo, há uma insegurança, mas, em pouco tempo, a gente recupera a confiança e nota que o incômodo é mais psicológico.” Duas semanas depois, na primeira semana de maio, Doguete estava liberado para andar como gosta e para competir.

Imagem: https://instagram.com/_riccardosantos?igshid=lp1vggs7tok7
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📷@_ricardosantos

“O primeiro dia de ação foi incrível: o medo a flor da pele e a dúvida sobre se o punho estava mesmo preparado. Mas bastou a galera gritar e a adrenalina consumir as veias. Eu fui e fiz o voo perfeito [registrado na fotografia de Ricardo Santos]. Quando terminei a manobra, foi incrivelmente ‘estranho’ não sentir dor nenhuma. Percebi que o punho estava como nunca esteve antes e preparado para as competições”, descreve Doguete.

Uma semana depois, Doguete estava em Xangai, para participar de mais um X-Games, saltando na modalidade que lhe deu notoriedade internacional: a Megarampa. Claro que o desempenho, pelo tempo parado, não seria o mesmo de janeiro, mas seria o recomeço. Ele encarou a participação como parte de um processo de retomada. Não esperava um grande resultado e, realmente, não houve. Porém, ganhou a certeza de que estava de volta e de que podia mirar, com mais confianças, seus grandes objetivos.

DAQUI PARA FRENTE: OS SONHOS DE DOGUETE

“Eu sou movido por sonhos e não dei esse breque, para operar, à toa. Quando eu coloco algo na cabeça, pode levar o tempo que for, eu vou concretizar. Há vídeos em que eu apareço dizendo o que pretendo fazer dali a cinco anos: ‘quero ganhar uma medalha em mundial e ir aos X-Games’. Cinco anos depois, fui medalha de bronze no mundial em Londres. Hoje, por exemplo, eu tenho oito anos seguidos de presença nos X-Games, sou o único brasileiro a competir na Megarampa e no Vertical. Eu falo e vou atrás, não importa quanto tempo leve”, diz Doguete.

Para adiante, Doguete mira ganhar uma medalha nos X-Games e conseguir uma vaga nas Olimpíadas, que, a partir de Tóquio 2020, terá o BMX Freestyle, na submodalidade Park, como esporte olímpico. “Eu comecei a praticar BMX no Park, mas ganhei projeção pela Megarampa e pelo Vertical. Além dessas submodalidades, há o Flatland [manobras no solo], Street [manobras usando corrimãos, escadarias, parapeitos etc.] e Dirt Jump [rampas de terra].”

Doguete tem consciência que, para 2020, não será nada fácil ir às Olimpíadas. “Quero chegar para brigar por medalha e acho que, para Tóquio, isso não será possível. Porém, consegui meu visto de atleta para viver e treinar nos EUA, junto com os melhores na modalidade. Em cinco anos de preparação, treinando e encarando os melhores, acho que posso realizar o sonho de uma medalha olímpica. É olhando para esse horizonte que trabalho, mas, se rolar de ir a Tóquio e antecipar a realização do plano, não vou achar nada ruim, pelo contrário.”

Já a medalha no X-Games é algo bem mais próximo e o Vita, segundo ele, terá um papel fundamental em suas conquistas daqui para frente. “Xangai fez parte da minha retomada. Em Minneapolis, fui como ‘alternate’ [reserva], mas, no ano que vem, a ideia é pegar um pódio dos X-Games. Será a minha primeira chance de faturar uma medalha nos jogos com o suporte médico do Vita. Eu nunca pude, realmente, ir para o tudo ou nada, como fazem os americanos e os australianos. Nunca pude porque não sabia o que seria de mim se me lesionasse seriamente. Mas, agora, com o Vita por trás, a história é outra: eu posso e vou. Espero que traga, para casa, ‘tudo’.”

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