QUAL É A RELAÇÃO ENTRE A PRÁTICA DO TÊNIS E AS LESÕES NO QUADRIL?

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O problema enfrentado por Guga não é incomum entre atletas da modalidade: tenistas são suscetíveis a diversas lesões no quadril. “Qualquer atividade que traga muito impacto e movimentos amplos do quadril podem lesioná-lo. O tênis é um bom exemplo de esporte que traz impacto e movimentos amplos, principalmente de natureza rotacional”, diz o ortopedista do Vita, Dr. Henrique Gurgel.

Nessa época do ano, quando acontece o torneio de Roland Garros, um dos quatro mais importantes do calendário anual do tênis, é impossível, para quem gosta do esporte, não se lembrar de Gustavo Kuerten, o Guga, tricampeão do torneio. Guga teve uma carreira gloriosa: chegou a ser o número 1 do esporte por um bom tempo, derrotando lendas como Andre Agassi, Pete Sampras e Roger Federer. Porém, teve uma aposentadoria precoce e uma boa parte da carreira prejudica em razão de lesões no quadril.

O problema enfrentado por Guga não é incomum entre atletas da modalidade. “Qualquer atividade que traga muito impacto e movimentos amplos do quadril podem lesioná-lo. O tênis é um bom exemplo de esporte que traz impacto e movimentos amplos, principalmente de natureza rotacional. Ao jogar, o atleta rotaciona e flete o quadril com frequência e intensidade”, diz o ortopedista do Vita, especialista em quadril, Dr. Henrique Gurgel.

DOIS TIPOS DE LESÕES NO QUADRIL

O médico explica que, na articulação do quadril, a cabeça do fêmur está encaixada na bacia. Esse encaixe tem uma capsula que o recobre e, ao mesmo tempo, separa o quadril em duas áreas: a articular ou intra-articular, que fica dentro dessa cápsula, e a extra-articular, que fica fora da cápsula. “Na parte extra-articular ficam os músculos, tendões, bursas e nervos. Na região articular, o mais importante é a cartilagem, que reduz o atrito da cabeça do fêmur com o acetábulo [bacia].”

A partir desse entendimento anatômico, é possível dividir as lesões de quadril em dois tipos: extra-articulares e articulares ou intra-articulares. “As lesões extra-articulares acontecem geralmente em músculos.” No ano passado, Nadal ficou um mês longe das quadras por causa de uma lesão muscular na parte posterior da coxa. A lesão dele foi considerada leve (grau um) e, depois de um mês, retornou às competições. “Lesões extra-articulares não são cirúrgicas. Faz-se um tratamento conservador, com fisioterapia e, dependendo da gravidade, entre um e três meses, o paciente já está retornando às suas atividades esportivas.”

Guga passou, durante a carreira, por algumas artroscopias. Porém, como as dores e a limitação de movimentos continuaram a acompanhá-lo, o atleta precisou, no início de 2008, aos 32 anos, encerrar sua impressionante carreira e fazer uma nova cirurgia para colocar uma prótese de quadril, mesmo sendo ainda bastante jovem.
Guga passou, durante a carreira, por algumas artroscopias. Porém, como as dores e a limitação de movimentos continuaram a acompanhá-lo, o atleta precisou, no início de 2008, aos 32 anos, encerrar sua impressionante carreira e fazer uma nova cirurgia para colocar uma prótese de quadril, mesmo sendo ainda bastante jovem.

DAS LESÕES NO QUADRIL, GUGA TEVE IFA

Já as lesões articulares têm outra natureza. A mais frequente e conhecida é chamada de impacto fêmoro-acetabular (IFA). “Aí, o prognóstico é um pouco diferente. Enquanto as lesões extra-articulares são mais agudas, a lesões intra-articulares são mais crônicas, elas desenvolvem uma degeneração da articulação conhecida como artrose ou osteoartrose.”

Dr. Gurgel explica que o IFA, infelizmente, é comum aos jogadores de tênis. “Os tenistas são obrigados a fazer inúmeros movimentos repetidos, que envolvem impactos e grandes amplitudes, fazendo com que a cabeça do fêmur fique em atrito, de forma frequente, com a bacia. Com o passar do tempo, esse impacto degenera a cartilagem do quadril. Foi o que ocorreu com Guga.”

E SE FOSSE HOJE

O especialista em quadril conta que Guga passou, durante a carreira, por algumas artroscopias. Porém, como as dores e a limitação de movimentos continuaram a acompanhá-lo, o atleta precisou, no início de 2008, aos 32 anos, encerrar sua impressionante carreira e fazer uma nova cirurgia para colocar uma prótese de quadril, mesmo sendo ainda bastante jovem.

“É importante dizer que, depois que o quadril passa por uma cirurgia, é difícil dar certeza, ao atleta, de que será possível retornar no mesmo nível em que atuava. Depende muito de como está a articulação, como foi a cirurgia e o que foi feito. Temos dados que mostram que 80% dos pacientes, depois da cirurgia, voltam a praticar em alto nível o seu esporte. Porém, em torno de 20%, o que não é um número tão pequeno, volta, mas perde qualidade.”

Com relação aos avanços da medicina e se eles permitiriam a Guga ter uma carreira mais longeva hoje, o Dr. diz que é difícil fazer qualquer afirmação. “A artroscopia, nesse intervalo de tempo [pouco mais de dez anos], evoluiu muito, mas é difícil garantir que esses avanços lhe dariam mais tempo em quadra.”

Quanto ao tratamento para o IFA, Dr. Gurgel explica que é importante sempre começá-lo de forma conservadora, com fisioterapia, medicações e orientações sobre atividades que o atleta pode praticar. “Às vezes, é preciso revisão de movimentos, com a finalidade de reduzir amplitudes e impactos."
Quanto ao tratamento para o IFA, Dr. Gurgel explica que é importante sempre começá-lo de forma conservadora, com fisioterapia, medicações e orientações sobre atividades que o atleta pode praticar. “Às vezes, é preciso revisão de movimentos, com a finalidade de reduzir amplitudes e impactos.”

PREVENÇÃO E TRATAMENTO

É evidente que o caso de Guga não se dá com todos os tenistas de alto rendimento, tampouco com aqueles que batem sua bola aos fins de semana nos parques da cidade, mas, seja profissional ou não, é fundamental ter atenção aos sintomas e, além do jogo em si, vale realizar atividades que fortaleçam a musculatura, preservando, dessa forma, um pouco mais a articulação.

Quanto ao tratamento para o IFA, Dr. Gurgel explica que é importante sempre começá-lo de forma conservadora, com fisioterapia, medicações e orientações sobre atividades que o atleta pode praticar. “Às vezes, é preciso revisão de movimentos, com a finalidade de reduzir amplitudes e impactos. Ocasionalmente, pode-se fazer infiltrações de analgésicos ou anti-inflamatórios.”

Se depois dessas medidas, não houver melhoras, é preciso lançar mão de recursos menos conservadores. “Realizar uma artroscopia, que é um procedimento minimamente invasivo, passa a ser a alternativa. Por meio dela, é possível fazer um tratamento dentro articulação, com material específico.”

Geralmente, a artroscopia traz o resultado esperado, como se viu pelos percentuais, mas, em casos extremos, o paciente ainda pode, para levar uma vida sem dores e mais confortável, recorrer à artroplastia, como se deu com Guga.

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